04 maio 2010

Repouso

Foto: Mama


meu coração
é um relógio
teu vivo amor
é que o faz funcionar


meu coração
não tem medo
enfrenta o mundo
sem ter que lutar


meu coração
é teu repouso
quando a amargura
da vida te fizer chorar

03 maio 2010

Pensamento VIII




"Desabafo é igual a catarro: você tem que colocar pra fora para se sentir melhor."

César dos Anjos

08 abril 2010

Jardim do Tempo




O que falta em minha vida?
Ela é um deserto
Que sustenta um oceano
Profundo, incerto.

A vida é tão rara! E única!
Traz consigo a beleza, o amor...
Sonho de uma existência plena,
Herança da vida anterior.

Incógnita vida! Desgraça!
Luz apagada!
Caminho numa estrada escura,
Sem tocha, nem nada.

Houve no tempo um jardim
Que mil corações arrebatou.
Há um segredo, velho mistério,
O anjo para si o guardou.

O que falta em minha vida?
Isso irei aprender.
Pois não há sonho realizado
Fora do viver.

Como nasce um novo coração?
Ninguém a viu aqui chegar
No tabernáculo, desta morte
Que alcança todo ser, em todo lugar.

Um coração é transformado
Na fraqueza
Do corpo. O espírito é a sua
Fortaleza.

Minh'alma é imensa... É forte.
Criados para a eternidade
São os homens. Criados para
Suportar toda adversidade.

Quem somos nós, senão mortais?
Inúteis criaturas!
Pobres mendicando algumas
Bênçãos das alturas.

Oh! que certo e triste fim
Se nos reserva nesta provação!
A morte é rápida passagem
Para a última estação...


[Escrito entre o tempo e o espaço...]

03 abril 2010

Poemagma



De onde vêm as luzes
brilhando sobre Kalapana
consumindo e queimando?

São luzes de vulcão
um espetáculo ígneo
magmático mar
ruas pavimentadas
com pedras de fogo
lares em erupção

Natureza em vivo calor...


14 fev 2000

20 março 2010

Dúvidas




a escuridão mata
a luz também
a morte maltrata
a vida também

entre sonhos
e mudanças
entre ricas
esperanças

me ausentei

na noite
no fogo
não fujo
do jogo

marca impressa
em papel
em jornal
não interessa

me marcam
tuas dores
me atacam
teus amores

e tuas feridas
também
e além

e as matilhas
caçam
disfarçam

dispersam
as presas
ameaçam
certezas

inteiras

se mudam
não vejo
transmutam
o desejo

as trevas
maltratam
a claridade

os mortos
despertam
curiosidade

a
vida
também


16 mar 2010 - 19h43min

[Poema apresentado no sarau literário "Quartas às Quatro", na UBE-PE, em 17/03/2010. Será incluído no livro VERSOS CAÓTICOS, do mesmo autor]

16 março 2010

Concurso Literário


Está em andamento um projeto para a realização de um concurso de contos entre a comunidade Mórmon lusófona.
É uma oportunidade fantástica para os Santos dos Últimos Dias que moram em países de Língua Portuguesa participarem, assim como a possibilidade de terem suas obras divulgadas mundialmente.
O idealizador do projeto é Kent Larsen, palestrante e conferencista que trabalha junto à indústria livreira.

Mais informações na comunidade:

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98381198

Também no blog:

http://informormon.blogspot.com/

12 março 2010

O último suspiro do Samurai


Abrindo uma exceção nas minhas publicações, resolvi postar um microconto, aliás excelente microconto, escrito por um de meus sobrinhos. Me sinto feliz por tê-lo incentivado e por ver o resultado de seu esforço pessoal para desenvolver a arte literária. Este microconto descreve o ritual suicida praticado por guerreiros samurais desde tempos imemoriais, conhecido pelo termo formal de Seppuku.


"O último poema, o último gole de sakê. Sacou sua espada, ajoelhado ali ficou. Harakiri, ao encontro de sua amada."
Giulio Caetano Pires de Sá

09 março 2010

Cachos Dourados



voam dourados cachos
soltos sem direção
ou mãos que os afaguem
voam brilhando
cruzando a luz

voam dourados cachos
o vento lança-os
na esfera do ar
ciclonizam e
rodopiam no chão

voam dourados cachos
a tarde é de chuva
os cachos molhados
são orvalho e perfume
poesia e canção

os cachos dourados


07 jan 2000

07 março 2010

03 março 2010

Eu Junto

Tudo menos
Longe do Rio
Ela apareceu
E sonhou

Um sonho em visão
Calor e chuva
Em clima de verão

Eu sumi
E assumi o controle
Em cima da noite
Antes da morte

Não há fatos
Não há certeza
Só há razão

Eu sei falar
Eu sei sorrir
Sinto
Só não sei nadar

Sonhadores
Você e Eu
Junto ao mar

Nada mais


15 ago 2009 - 01h07min

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Anexo

Entre calos
e topadas
continuamos
a caminhar...

16 ago 2009 - 18h45min

[Poemas incluídos no livro VERSOS CAÓTICOS, a ser lançado]

As Doze Chaves da Lua

Foto: NASA

o grande mar vociferava maçãs
terceirizava a pessoa do amor
enquanto dezoito senhoras sem cor
caminhavam entre duas manhãs

uma jaula não encobre pecados
o futuro presencia o que passou
fora do tempo a mulher lhe enviou
uma mensagem cheia de cuidados

sua memória tornara-o louco
sua força ninguém contestou
na insanidade que danos causou

seu fim qualquer lhe aprouvera
na infância que o sonho lhe dera
lembranças distantes - tão pouco!


05 Out 1999 - 14h19min

01 março 2010

O Arbítrio



o homem é social
na sua dissociabilidade

o homem é racional
na sua irracionalidade

que me resta? o que sou?
eu sou a sombra de um animal
sem alguém e sem vontade

04 Nov 1999 - 19h54min

[Crônica]




Quando o Amanhã nasce, torna-se o Hoje, assim como o feto que sai do ventre da mãe para tornar-se alma vivente. E quando passa, ele não morre, mas transforma-se em perene recordação dentro de nós mesmos.

O nosso Tempo é agora, o dos mortos já passou. Sendo que coabitamos um mundo, em esferas diferentes: a nossa esfera é agradável e bela, mas perecível; a dos nossos antepassados é mais espiritualmente elevada, é sublime e paradisíaca. É para onde iremos ao limiar da Vida, na plenitude da nossa justiça.

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A Noite nada mais é do que a esperança da Aurora; e a Madrugada tanto anseia por Luz, que a recebe gradativamente do Sol - seu provedor - até preencher-se de sua agradável recompensa: o Dia.

Seja ele quente ou frio, consumido por um calor intenso ou preenchido por gélida neblina, o Dia é quase sempre aguardado com a ansiedade de que, junto com ele, traga-nos a renovação do corpo e da mente e de nossas esperanças.

Pois aqueles que acreditam no poder condescendente do Altíssimo podem, seguramente, esperar por um mundo melhor a cada manhã. E essa esperança é uma âncora segura para a alma dos homens, tornando-os constantes e firmes - mesmo diante dos vagalhões que os açoitam em meio às piores tempestades - e fazendo com que modifiquem o seu interior, assim como o ambiente ao seu redor.

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Os Caminhos do Mundo



o silêncio absurdo dos momentos
que passamos num inverno
são como horas e dias semestrais
em montanhas de gelo eterno

perpétuo domiciliado no arrependimento
e preso aos grilhões da apatia social
imantava-se à superfície de seu quarto
emanando negativa energia auroreal

não sobraram mais que duas fatias
e uma centelha de humildade
o resto é cinza sobre flores úmidas
com seis grãos de verdade:

a violência me revolta;
a fome entristece-me;
o imoral causa-me repúgnio;
o egoísmo traz altivez;
a vaidade ensoberbece(-me);
a tirania oprime a liberdade.

14 e 17/jul/1999
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Não há qualquer coisa debaixo do Sol
e nada que seja oculto à Lua Branca.

Os mistérios serão revelados
os segredos serão traduzidos
e o póstumo enigma desvendado.

Tudo será conhecido
e o homem obterá as respostas,

satisfazendo sua alma
sedenta de conhecimento
e faminta de entendimento elevado.

Pois não há limites para o espírito humano.

27 fevereiro 2010

Versos Heliânticos



breve suavidade
apáticos momentos
lacônico olhar
recônditos sentimentos

alva pulcritude
semblante perfulgente
navígero coração
sorriso permanente

aurora primeva
sagaz brilhantismo
meândricos sonhos
prisco romantismo

irrisória sentença
lembrança postergada
vulto dissidente
compleição avaliada

índole primária
cidadão incoerente
sereia-musa-fada
anjo benevolente

20 maio 1999 - 00h55min

ao poeta haroldo de campos



a folha não cai - arrepia
em hora tranquila - parada
pactua seu fim sem fracasso
com o ar gentil simetria
ilude o silêncio - mais nada

conquista um espaço

desiste do solo - da morte
do húmus - atroz moradia
prefere nadar pra o norte
num rio de tristeza tardia
a um mar estéril - escasso

tão leve corrente
em seu leito conduz
pequena folhinha dormente
transporta sua cruz
submissa - e - contente

terrível mormaço

um clarão - sol a pino
na água não seca
só quer alcançar sua meca
cumprir seu destino
naquele oceano atlantino



26 jan 1999

(re)descobrindo o sistema

Foto: NASA

[nem tanto assim
nem tão pouco
ou algo mais]

quero descobrir
sob forte chuva cósmica
o segredo do universo

seguir o halley
no vácuo de seu rastro
ligar meu farol solar
na via-láctea
desviar-me de buracos negros

e ao raiar de nova órbita
cruzar a poeira de saturno
escapar dos gases de júpiter
ligar o aquecedor
ao frio de plutão

quero admirar
o céu vermelho de marte
e bronzear-me no calor
das praias de mercúrio
quem sabe entre eles
a vênus não mo revelará?

ou talvez - antes - o rei netuno
me trará o conhecimento
das profundezas do espaço?

não no sei... porém
ao retornar
de astronômica jornada
encontrei em minha terra
o amor de uma estrela

21/01/1999

Poema do Absurdo

Foto: César dos Anjos

é o que desejo
na existência
e o que almejo
com prudência:

liquidificar minhas dores
centrifugar minhas feridas
cozinhar meus favores
alimentar minhas vidas

sábios não são aqueles que riram-se
dos mais humildes, mansos e meigos
que mostram hieróglifos aos leigos
e eles de sua grandeza admiram-se

na minha escuridão
vi tua beleza
onde o silêncio
nunca é silencioso

estaria abusando
do seu amor
minha bondade?
ou exagerando
seu favor
com minha vontade?

Pois somos errantes
em uma terra estranha...

06 maio 1998

Obsessão d'alma



no passeio da aurora
o presente é apresentado
em luz e sombra
em retângulo mumificado

paisagem ondulesca
escura e friamente conturbada
paralelos corporais
passeísticos na madrugada

olhares que me seguem
rogam-me por sua libertação
dormem, transpiram
nadam no mar da escuridão

longínquas, esculturais
transcendem a arte das formas
vagueio poeticamente
num teu juiz me transformas

encéfalos posicionados
morte expressa na dor canina
excita-o tuas mãos
desentitulada é a sina

angustiada vida humana
humanamente quadrada expressão
inferno decrepitante
faces coladas em desunião

rosto na montanha
o céu é cinza - a pedra, escura
a crina avolumada
não esconde tua arte madura

um choro oculto
miserável dor latente
caras rostos visões
lira vespertina na obra de Vicente

29 jun 1999

[Obra poética composta em visita à exposição do artista plástico Gil Vicente no MAMAM - Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife, e em sua homenagem]

16 fevereiro 2010

Tribos




passaram-se

dois dias

a barba

já cresceu

mas é falsa

não é freudiana

é noelesca

e (ele) não explica

o índio psicanalisado


23/11/1999

O Poeta escreve uma nova Bossa



era tarde ainda
depois das seis
o som da primeira
chuva de verão
me afogava em pensamentos
a paciência me distraía

uma bossa eu ouvia
Gil e Toquinho
cantando em Itapoã
relaxando meu sistema
cansado e nervoso

e na mudança de tempo
a onda de Jobim
arrebentou em mim
levando-me à calma praia
da italiana voz
memorável Renato

tudo era sossego
ao doce murmúrio
de um saxofone
brilhando sem microfone
Al Jarreau cantando samba

enquanto o Poeta
atento ao repertório
das letras e das músicas
escreve sua alma
em palavras de ouro
sem nome e sem louro

23 dez 1999

07 fevereiro 2010

Lançamento do Mês



Cartaz de divulgação para o lançamento do livro ECOS DA ALMA - Antologia de Poemas, publicado pela Andross Editora, São Paulo.

Dois poemas meus foram selecionados para fazer parte desta antologia.

Para adquirir o livro, contactar o autor:

Twitter.com/CesarDosAnjos7

Facebook.com/CesarDosAnjos7


04 fevereiro 2010

Pensamento VI




“Se todos fôssemos iguais, não veríamos beleza uns nos outros. A beleza está, portanto, em sermos diferentes.”
César dos Anjos

10 junho 2001

22 janeiro 2010

Microcontos ou minicontos

Nos últimos dias tenho me dedicado a desenvolver a habilidade de produção literária conhecida como microconto ou miniconto.
Embora a teoria literária ainda não reconheça o microconto como um gênero literário, é evidente que as características de um microconto são diferentes das de um conto.
No microconto, por exemplo, é muito mais interessante sugerir que revelar, deixando ao leitor a tarefa de compreender a narrativa e a história por trás da história escrita.
Algumas características dos microcontos são: concisão; totalidade; subtexto; ausência de descrição.

Portanto, resolvi postar alguns dentre os mais de 50 textos que produzi até agora e que pretendo posteriormente publicar em uma só obra, com título ainda indefinido.





II
Caiu, mas continuou tentando falar. Tentou gritar. O trem apitou e partiu. Levou embora sua última esperança.

IX
Os estrondos são ensurdecedores. Acho que não sou mais humano. Estou impregnado de guerra.

XIII
A nave pairou sobre sua casa. Sentiu seu corpo flutuar. Foi abduzida na véspera de seu aniversário.

XXVI
Montou no cavalo árabe e cavalgou confiante rumo ao seu destino. Uma semana mais tarde retornou ao castelo acometido por uma tuberculose.

XLIV
A jovem me olhou sem emoção. Não me notou. Mas eu queria que me notasse. Seria minha única chance. Então desci correndo as escadas. É tudo de que me lembro antes de acordar aqui neste leito de hospital.