20 março 2013
Quadras [exercícios poéticos]
[1]
e se eu for considerar
o quanto sofri na vida
temo desprender de amar
lição há muito esquecida
[3]
quero o silêncio da noite
quero a clareza do dia
quero do vento um açoite
quero entre nós harmonia
[12]
nunca aprendi a sofrer
sempre me perco na morte
o meu destino é viver
pego carona com a sorte
[14]
era uma vez um carinho
que precisou se ausentar
fugiu pra longe do ninho
voou bem leve no ar
[26]
fiz um poema pra ti
tentei chegar às estrelas
mas um só verso vivi
na ilusão de não vê-las
[31]
ninguém sabe quem eu sou
cidadão desesperado
meu amor me esperou
além vida no outro lado
[34]
voltei dois giros no tempo
voltei à casa do medo
girei meu corpo bem lento
esqueci o teu segredo
César dos Anjos
06 março 2013
Carta de Abraham Lincoln ao professor de seu filho
"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado.
Ensine-o, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.
Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.
Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho. Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.“
Publicação da página EU AMO LER, no Facebook.
Link:
https://www.facebook.com/pages/Eu-amo-Ler/389742681051228?fref=ts
05 março 2013
Transição
Não sou católico, mas aprendi a ter muito respeito pela Igreja Católica Romana e por seus fiéis seguidores.
Por isso, o meu desejo é que o que for escolhido como sucessor de Joseph Ratzinger - Bento XVI - seja alguém com uma excelente comunicação com outros líderes religiosos do mundo inteiro, alguém que defenda elevados padrões morais e que tenha uma sincera preocupação com o bem estar da humanidade.
11 de fevereiro de 2013.
César dos Anjos
18 janeiro 2013
02 dezembro 2012
Microconto
Ela risca um fósforo. Suspira docemente. Olha na direção do corpo: sorri de um jeito engraçado, aliviada, feliz talvez, sem remorso. Atira a pequena chama no piso encharcado, fecha os olhos, pensa no infinito, sabe que tudo irá consumir-se em minutos. Encerra sua curta carreira como viúva negra de maneira tragicamente poética.
César dos Anjos
Escritor e Empreendedor Cultural
LEI N.º 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
Copyright © 2012 César dos Anjos. Todos os direitos reservados.
14 novembro 2012
Oficina de Dramaturgia
Ocorrerá no Espaço Pasárgada - a Casa de Manuel Bandeira - em Recife-PE.
Espaço Pasárgada
FUNDARPE/DGEC
Rua da União, 263, Boa Vista
(81) 3184-3165
Informações e inscrições:
www.fundarpe.pe.gov.br
artescenicas@secult.pe.gov.br
Espaço Pasárgada
FUNDARPE/DGEC
Rua da União, 263, Boa Vista
(81) 3184-3165
Informações e inscrições:
www.fundarpe.pe.gov.br
artescenicas@secult.pe.gov.br
07 novembro 2012
05 novembro 2012
03 novembro 2012
21 setembro 2012
AOS GUERREIROS PARAOLÍMPICOS
Para aquele que não anda, mas corre
Para aquele que não enxerga, mas vê
Para aquele que não fala, mas se comunica
Para aquele que não ouve, mas sente
Para aquele que não aperta a mão, mas cumprimenta
Para aquele que é limitado, mas vive com alegria
Para aquele que não é famoso, mas representa o país com orgulho
Nosso mais sincero OBRIGADO!
20 setembro 2012
apple
sob a alegação
de ser um tecnocrata
o juiz condenou-o
a trinta anos
de prisão computacional
a apelação
foi-lhe negada
e o condenado
foi conduzido
à microsoft
a labutar
sem direito
à liberdade
e uso do mouse
encerrado no cárcere
de um regime
ultravançado
e tecnofágico
depois descobriu-se
que ainda pirateava dvd's
nos arredores do bronx
e que matou um avatar
para financiar
sua guerra ao terror
resultado: sua pena
foi triplicada
e teve que pagar
indenizações milionárias
a todos os donos
de salas de cinema
ao redor da globo
segundo a cnn
Guerra fria
O que será que houve com Moscou?
Não me lembro de ter ouvido um grito.
É distante a minha amargura.
Está trancada no porão.
Ora, não há século
sem um destemido herói,
sem um bravo guerreiro,
sem um ousado desbravador.
Eu quero estar entre os ouvintes,
entre aqueles que sobreviveram
ao castigo terrível,
à morte insana e
outras guerras absurdas.
07 Mar 2011, 02h10min
31 maio 2012
17 setembro 2011
Fliporto - Prêmio TOC 140 no Twitter
Um dos poemas de @CesarDosAnjos7 na rede social foi retuitado (pré-selecionado) pelo @fliportoPE e concorre à premiação e publicação que ocorrerão durante a VII Festa Literária Internacional de PE - Fliporto, de 11-15 de novembro em Olinda-PE/Brasil.
26 julho 2011
Física dos Anjos
04 maio 2010
Repouso
03 maio 2010
08 abril 2010
Jardim do Tempo

O que falta em minha vida?
Ela é um deserto
Que sustenta um oceano
Profundo, incerto.
A vida é tão rara! E única!
Traz consigo a beleza, o amor...
Sonho de uma existência plena,
Herança da vida anterior.
Incógnita vida! Desgraça!
Luz apagada!
Caminho numa estrada escura,
Sem tocha, nem nada.
Houve no tempo um jardim
Que mil corações arrebatou.
Há um segredo, velho mistério,
O anjo para si o guardou.
O que falta em minha vida?
Isso irei aprender.
Pois não há sonho realizado
Fora do viver.
Como nasce um novo coração?
Ninguém a viu aqui chegar
No tabernáculo, desta morte
Que alcança todo ser, em todo lugar.
Um coração é transformado
Na fraqueza
Do corpo. O espírito é a sua
Fortaleza.
Minh'alma é imensa... É forte.
Criados para a eternidade
São os homens. Criados para
Suportar toda adversidade.
Quem somos nós, senão mortais?
Inúteis criaturas!
Pobres mendicando algumas
Bênçãos das alturas.
Oh! que certo e triste fim
Se nos reserva nesta provação!
A morte é rápida passagem
Para a última estação...
[Escrito entre o tempo e o espaço...]
03 abril 2010
Poemagma
20 março 2010
Dúvidas

a escuridão mata
a luz também
a morte maltrata
a vida também
entre sonhos
e mudanças
entre ricas
esperanças
me ausentei
na noite
no fogo
não fujo
do jogo
marca impressa
em papel
em jornal
não interessa
me marcam
tuas dores
me atacam
teus amores
e tuas feridas
também
e além
e as matilhas
caçam
disfarçam
dispersam
as presas
ameaçam
certezas
inteiras
se mudam
não vejo
transmutam
o desejo
as trevas
maltratam
a claridade
os mortos
despertam
curiosidade
a
vida
também
16 mar 2010 - 19h43min
[Poema apresentado no sarau literário "Quartas às Quatro", na UBE-PE, em 17/03/2010. Será incluído no livro VERSOS CAÓTICOS, do mesmo autor]
16 março 2010
Concurso Literário
Está em andamento um projeto para a realização de um concurso de contos entre a comunidade Mórmon lusófona.
É uma oportunidade fantástica para os Santos dos Últimos Dias que moram em países de Língua Portuguesa participarem, assim como a possibilidade de terem suas obras divulgadas mundialmente.
O idealizador do projeto é Kent Larsen, palestrante e conferencista que trabalha junto à indústria livreira.
Mais informações na comunidade:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98381198
Também no blog:
http://informormon.blogspot.com/
12 março 2010
O último suspiro do Samurai
Abrindo uma exceção nas minhas publicações, resolvi postar um microconto, aliás excelente microconto, escrito por um de meus sobrinhos. Me sinto feliz por tê-lo incentivado e por ver o resultado de seu esforço pessoal para desenvolver a arte literária. Este microconto descreve o ritual suicida praticado por guerreiros samurais desde tempos imemoriais, conhecido pelo termo formal de Seppuku.
"O último poema, o último gole de sakê. Sacou sua espada, ajoelhado ali ficou. Harakiri, ao encontro de sua amada."
Giulio Caetano Pires de Sá
09 março 2010
Cachos Dourados

voam dourados cachos
soltos sem direção
ou mãos que os afaguem
voam brilhando
cruzando a luz
voam dourados cachos
o vento lança-os
na esfera do ar
ciclonizam e
rodopiam no chão
voam dourados cachos
a tarde é de chuva
os cachos molhados
são orvalho e perfume
poesia e canção
os cachos dourados
07 jan 2000
07 março 2010
08 de março - Dia Internacional da Mulher
Para ler minha homenagem às Mulheres, clique no título da crônica acima: O MISTÉRIO.
03 março 2010
Eu Junto
Tudo menos
Longe do Rio
Ela apareceu
E sonhou
Um sonho em visão
Calor e chuva
Em clima de verão
Eu sumi
E assumi o controle
Em cima da noite
Antes da morte
Não há fatos
Não há certeza
Só há razão
Eu sei falar
Eu sei sorrir
Sinto
Só não sei nadar
Sonhadores
Você e Eu
Junto ao mar
Nada mais
15 ago 2009 - 01h07min
Longe do Rio
Ela apareceu
E sonhou
Um sonho em visão
Calor e chuva
Em clima de verão
Eu sumi
E assumi o controle
Em cima da noite
Antes da morte
Não há fatos
Não há certeza
Só há razão
Eu sei falar
Eu sei sorrir
Sinto
Só não sei nadar
Sonhadores
Você e Eu
Junto ao mar
Nada mais
15 ago 2009 - 01h07min
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Anexo
Entre calos
e topadas
continuamos
a caminhar...
16 ago 2009 - 18h45min
Anexo
Entre calos
e topadas
continuamos
a caminhar...
16 ago 2009 - 18h45min
[Poemas incluídos no livro VERSOS CAÓTICOS, a ser lançado]
As Doze Chaves da Lua
Foto: NASA
o grande mar vociferava maçãs
terceirizava a pessoa do amor
enquanto dezoito senhoras sem cor
caminhavam entre duas manhãs
uma jaula não encobre pecados
o futuro presencia o que passou
fora do tempo a mulher lhe enviou
uma mensagem cheia de cuidados
sua memória tornara-o louco
sua força ninguém contestou
na insanidade que danos causou
seu fim qualquer lhe aprouvera
na infância que o sonho lhe dera
lembranças distantes - tão pouco!
05 Out 1999 - 14h19min
01 março 2010
O Arbítrio
[Crônica]

Quando o Amanhã nasce, torna-se o Hoje, assim como o feto que sai do ventre da mãe para tornar-se alma vivente. E quando passa, ele não morre, mas transforma-se em perene recordação dentro de nós mesmos.
O nosso Tempo é agora, o dos mortos já passou. Sendo que coabitamos um mundo, em esferas diferentes: a nossa esfera é agradável e bela, mas perecível; a dos nossos antepassados é mais espiritualmente elevada, é sublime e paradisíaca. É para onde iremos ao limiar da Vida, na plenitude da nossa justiça.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
A Noite nada mais é do que a esperança da Aurora; e a Madrugada tanto anseia por Luz, que a recebe gradativamente do Sol - seu provedor - até preencher-se de sua agradável recompensa: o Dia.
Seja ele quente ou frio, consumido por um calor intenso ou preenchido por gélida neblina, o Dia é quase sempre aguardado com a ansiedade de que, junto com ele, traga-nos a renovação do corpo e da mente e de nossas esperanças.
Pois aqueles que acreditam no poder condescendente do Altíssimo podem, seguramente, esperar por um mundo melhor a cada manhã. E essa esperança é uma âncora segura para a alma dos homens, tornando-os constantes e firmes - mesmo diante dos vagalhões que os açoitam em meio às piores tempestades - e fazendo com que modifiquem o seu interior, assim como o ambiente ao seu redor.
O nosso Tempo é agora, o dos mortos já passou. Sendo que coabitamos um mundo, em esferas diferentes: a nossa esfera é agradável e bela, mas perecível; a dos nossos antepassados é mais espiritualmente elevada, é sublime e paradisíaca. É para onde iremos ao limiar da Vida, na plenitude da nossa justiça.
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A Noite nada mais é do que a esperança da Aurora; e a Madrugada tanto anseia por Luz, que a recebe gradativamente do Sol - seu provedor - até preencher-se de sua agradável recompensa: o Dia.
Seja ele quente ou frio, consumido por um calor intenso ou preenchido por gélida neblina, o Dia é quase sempre aguardado com a ansiedade de que, junto com ele, traga-nos a renovação do corpo e da mente e de nossas esperanças.
Pois aqueles que acreditam no poder condescendente do Altíssimo podem, seguramente, esperar por um mundo melhor a cada manhã. E essa esperança é uma âncora segura para a alma dos homens, tornando-os constantes e firmes - mesmo diante dos vagalhões que os açoitam em meio às piores tempestades - e fazendo com que modifiquem o seu interior, assim como o ambiente ao seu redor.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Os Caminhos do Mundo

o silêncio absurdo dos momentos
que passamos num inverno
são como horas e dias semestrais
em montanhas de gelo eterno
perpétuo domiciliado no arrependimento
e preso aos grilhões da apatia social
imantava-se à superfície de seu quarto
emanando negativa energia auroreal
não sobraram mais que duas fatias
e uma centelha de humildade
o resto é cinza sobre flores úmidas
com seis grãos de verdade:
a violência me revolta;
a fome entristece-me;
o imoral causa-me repúgnio;
o egoísmo traz altivez;
a vaidade ensoberbece(-me);
a tirania oprime a liberdade.
14 e 17/jul/1999
____________________________________

Não há qualquer coisa debaixo do Sol
e nada que seja oculto à Lua Branca.
Os mistérios serão revelados
os segredos serão traduzidos
e o póstumo enigma desvendado.
Tudo será conhecido
e o homem obterá as respostas,
satisfazendo sua alma
sedenta de conhecimento
e faminta de entendimento elevado.
Pois não há limites para o espírito humano.
27 fevereiro 2010
Versos Heliânticos

breve suavidade
apáticos momentos
lacônico olhar
recônditos sentimentos
alva pulcritude
semblante perfulgente
navígero coração
sorriso permanente
aurora primeva
sagaz brilhantismo
meândricos sonhos
prisco romantismo
irrisória sentença
lembrança postergada
vulto dissidente
compleição avaliada
índole primária
cidadão incoerente
sereia-musa-fada
anjo benevolente
20 maio 1999 - 00h55min
ao poeta haroldo de campos

a folha não cai - arrepia
em hora tranquila - parada
pactua seu fim sem fracasso
com o ar gentil simetria
ilude o silêncio - mais nada
conquista um espaço
desiste do solo - da morte
do húmus - atroz moradia
prefere nadar pra o norte
num rio de tristeza tardia
a um mar estéril - escasso
tão leve corrente
em seu leito conduz
pequena folhinha dormente
transporta sua cruz
submissa - e - contente
terrível mormaço
um clarão - sol a pino
na água não seca
só quer alcançar sua meca
cumprir seu destino
naquele oceano atlantino

26 jan 1999
(re)descobrindo o sistema
Foto: NASA[nem tanto assim
nem tão pouco
ou algo mais]
quero descobrir
sob forte chuva cósmica
o segredo do universo
seguir o halley
no vácuo de seu rastro
ligar meu farol solar
na via-láctea
desviar-me de buracos negros
e ao raiar de nova órbita
cruzar a poeira de saturno
escapar dos gases de júpiter
ligar o aquecedor
ao frio de plutão
quero admirar
o céu vermelho de marte
e bronzear-me no calor
das praias de mercúrio
quem sabe entre eles
a vênus não mo revelará?
ou talvez - antes - o rei netuno
me trará o conhecimento
das profundezas do espaço?
não no sei... porém
ao retornar
de astronômica jornada
encontrei em minha terra
o amor de uma estrela
21/01/1999
Poema do Absurdo
é o que desejo
na existência
e o que almejo
com prudência:
liquidificar minhas dores
centrifugar minhas feridas
cozinhar meus favores
alimentar minhas vidas
sábios não são aqueles que riram-se
dos mais humildes, mansos e meigos
que mostram hieróglifos aos leigos
e eles de sua grandeza admiram-se
na minha escuridão
vi tua beleza
onde o silêncio
nunca é silencioso
estaria abusando
do seu amor
minha bondade?
ou exagerando
seu favor
com minha vontade?
Pois somos errantes
em uma terra estranha...
06 maio 1998
Obsessão d'alma

no passeio da aurora
o presente é apresentado
em luz e sombra
em retângulo mumificado
paisagem ondulesca
escura e friamente conturbada
paralelos corporais
passeísticos na madrugada
olhares que me seguem
rogam-me por sua libertação
dormem, transpiram
nadam no mar da escuridão
longínquas, esculturais
transcendem a arte das formas
vagueio poeticamente
num teu juiz me transformas
encéfalos posicionados
morte expressa na dor canina
excita-o tuas mãos
desentitulada é a sina
angustiada vida humana
humanamente quadrada expressão
inferno decrepitante
faces coladas em desunião
rosto na montanha
o céu é cinza - a pedra, escura
a crina avolumada
não esconde tua arte madura
um choro oculto
miserável dor latente
caras rostos visões
lira vespertina na obra de Vicente
29 jun 1999
[Obra poética composta em visita à exposição do artista plástico Gil Vicente no MAMAM - Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife, e em sua homenagem]
16 fevereiro 2010
Tribos
O Poeta escreve uma nova Bossa

era tarde ainda
depois das seis
o som da primeira
chuva de verão
me afogava em pensamentos
a paciência me distraía
uma bossa eu ouvia
Gil e Toquinho
cantando em Itapoã
relaxando meu sistema
cansado e nervoso
e na mudança de tempo
a onda de Jobim
arrebentou em mim
levando-me à calma praia
da italiana voz
memorável Renato
tudo era sossego
ao doce murmúrio
de um saxofone
brilhando sem microfone
Al Jarreau cantando samba
enquanto o Poeta
atento ao repertório
das letras e das músicas
escreve sua alma
em palavras de ouro
sem nome e sem louro
23 dez 1999
07 fevereiro 2010
Lançamento do Mês
Cartaz de divulgação para o lançamento do livro ECOS DA ALMA - Antologia de Poemas, publicado pela Andross Editora, São Paulo.
Dois poemas meus foram selecionados para fazer parte desta antologia.
Para adquirir o livro, contactar o autor:
Twitter.com/CesarDosAnjos7
Facebook.com/CesarDosAnjos7
04 fevereiro 2010
Pensamento VI
22 janeiro 2010
Microcontos ou minicontos
Nos últimos dias tenho me dedicado a desenvolver a habilidade de produção literária conhecida como microconto ou miniconto.
Embora a teoria literária ainda não reconheça o microconto como um gênero literário, é evidente que as características de um microconto são diferentes das de um conto.
No microconto, por exemplo, é muito mais interessante sugerir que revelar, deixando ao leitor a tarefa de compreender a narrativa e a história por trás da história escrita.
Algumas características dos microcontos são: concisão; totalidade; subtexto; ausência de descrição.
Portanto, resolvi postar alguns dentre os mais de 50 textos que produzi até agora e que pretendo posteriormente publicar em uma só obra, com título ainda indefinido.
Embora a teoria literária ainda não reconheça o microconto como um gênero literário, é evidente que as características de um microconto são diferentes das de um conto.
No microconto, por exemplo, é muito mais interessante sugerir que revelar, deixando ao leitor a tarefa de compreender a narrativa e a história por trás da história escrita.
Algumas características dos microcontos são: concisão; totalidade; subtexto; ausência de descrição.
Portanto, resolvi postar alguns dentre os mais de 50 textos que produzi até agora e que pretendo posteriormente publicar em uma só obra, com título ainda indefinido.

II
Caiu, mas continuou tentando falar. Tentou gritar. O trem apitou e partiu. Levou embora sua última esperança.
IX
Os estrondos são ensurdecedores. Acho que não sou mais humano. Estou impregnado de guerra.
XIII
A nave pairou sobre sua casa. Sentiu seu corpo flutuar. Foi abduzida na véspera de seu aniversário.
XXVI
Montou no cavalo árabe e cavalgou confiante rumo ao seu destino. Uma semana mais tarde retornou ao castelo acometido por uma tuberculose.
XLIV
A jovem me olhou sem emoção. Não me notou. Mas eu queria que me notasse. Seria minha única chance. Então desci correndo as escadas. É tudo de que me lembro antes de acordar aqui neste leito de hospital.
19 dezembro 2009
Nathália

o homem é seu próprio árbitro
e também seu destruidor
não preserva seu meio
só pensa no inteiro, no todo
quer tudo para si
não raciocina
racionaliza
tem gelo por coração
não compartilha
ignora - fecha os olhos
passa de largo
e o pobre estende a mão
inútil - o homem já foi
não é bom samaritano
é homem moderno
jovem rico
insensível
o belo céu azul
de tão triste
agora está cinza
a terra, em cinzas
queimada
magoada
ferida
seus filhos a incendeiam
apagam sua beleza
explodem corais
atóis
montanhas
sonhos
vidas
seres vivos morrem
com eles, o Amor
Mãe-Terra
grandiosa
não chores
ainda há um justo
ainda há uma luz
a esperança vive
no interior desse homem
o certo é incerto
mas a verdade sobrevive
o mal não vencerá
1º julho 2000
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