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02 dezembro 2012

Microconto




          Ela risca um fósforo. Suspira docemente. Olha na direção do corpo: sorri de um jeito engraçado, aliviada, feliz talvez, sem remorso. Atira a pequena chama no piso encharcado, fecha os olhos, pensa no infinito, sabe que tudo irá consumir-se em minutos. Encerra sua curta carreira como viúva negra de maneira tragicamente poética.

César dos Anjos
Escritor e Empreendedor Cultural



LEI N.º 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.

Copyright © 2012 César dos Anjos. Todos os direitos reservados.


12 março 2010

O último suspiro do Samurai


Abrindo uma exceção nas minhas publicações, resolvi postar um microconto, aliás excelente microconto, escrito por um de meus sobrinhos. Me sinto feliz por tê-lo incentivado e por ver o resultado de seu esforço pessoal para desenvolver a arte literária. Este microconto descreve o ritual suicida praticado por guerreiros samurais desde tempos imemoriais, conhecido pelo termo formal de Seppuku.


"O último poema, o último gole de sakê. Sacou sua espada, ajoelhado ali ficou. Harakiri, ao encontro de sua amada."
Giulio Caetano Pires de Sá

22 janeiro 2010

Microcontos ou minicontos

Nos últimos dias tenho me dedicado a desenvolver a habilidade de produção literária conhecida como microconto ou miniconto.
Embora a teoria literária ainda não reconheça o microconto como um gênero literário, é evidente que as características de um microconto são diferentes das de um conto.
No microconto, por exemplo, é muito mais interessante sugerir que revelar, deixando ao leitor a tarefa de compreender a narrativa e a história por trás da história escrita.
Algumas características dos microcontos são: concisão; totalidade; subtexto; ausência de descrição.

Portanto, resolvi postar alguns dentre os mais de 50 textos que produzi até agora e que pretendo posteriormente publicar em uma só obra, com título ainda indefinido.





II
Caiu, mas continuou tentando falar. Tentou gritar. O trem apitou e partiu. Levou embora sua última esperança.

IX
Os estrondos são ensurdecedores. Acho que não sou mais humano. Estou impregnado de guerra.

XIII
A nave pairou sobre sua casa. Sentiu seu corpo flutuar. Foi abduzida na véspera de seu aniversário.

XXVI
Montou no cavalo árabe e cavalgou confiante rumo ao seu destino. Uma semana mais tarde retornou ao castelo acometido por uma tuberculose.

XLIV
A jovem me olhou sem emoção. Não me notou. Mas eu queria que me notasse. Seria minha única chance. Então desci correndo as escadas. É tudo de que me lembro antes de acordar aqui neste leito de hospital.